segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Adesão segundo Prof. Lorenzo Breschi

Hoje tive a oportunidade de assistir a uma palestra sobre Adesão, proferida pelo Prof, Dr. Lorenzo Breschi, da Universidade de Trieste, Itália. Esta palestra foi promovida pelo LEBO-Laboratório de Ensaios de Biomateriais em Odontologia da UNIBAN, (é, aquela da mini-saia, vejam postagem anterior neste blog), chefiado brilhantemente pelo Prof. Dr. Camilo Anauate Neto. Prof. Breschi apresentou uma ampla e atual revisão bibliográfica sobre o presente estágio da adesão aos tecidos dentais e sobre o que podemos esperar dos adesivos hoje comercializados. Das duas horas e meia de palestra podemos destacar:

  • os adesivos de três passos, ou chamados de quarta geração, continuam sendo os que promovem uma adesão mais eficaz e duradoura, estável;


  • os adesivos alto-condicionantes, self-etch primers, ou de sexta geração, nas apresentações Primer e Bond separadamente aplicados, apresentam desempenho e estabilidade semelhantes aos adesivos de três passos. Deve-se SEMPRE condicionar o esmalte para contar com um bom desempenho marginal destes adesivos;


  • Nos dois casos acima, esta estabilidade se deve à camada de bond, hidrofóbica, que impermeabiliza a camada híbrida, minimizando os efeitos da permeabilidade da camada de primer hidrofílico;


  • os adesivos total-etch simplificados, quinta geração, que atualmente são os mais utilizados em nosso país, apresentam um desempenho inferior aos adesivos acima citados, mas com resultados clínicos considerados bastante satisfatórios. Dentre os adesivos deste grupo, deve-se eleger os que possuem etanol como solvente;


  • adesivos simplificados de passo único (sétima geração) bem como os adesivos auto-condicionantes onde primer e bond são misturados antes da aplicação não apresentam estabilidade da adesão conseguida, em virtude da sua alta permeabilidade e consequente degradação. Maiores estudos e desenvolvimento são necessários para melhorar o desempenho destes adesivos;


  • Independente da geração do adesivo utilizado, o uso de clorexidina 2% imediatamente antes da aplicação do adesivo é fundamental para inibir a ação das MMPs e preservar as fibras colágenas dentinárias. Esta ação já está comprovada quando do uso de adesivos total-etch e já existem evidencias de que também é importante quando do uso dos adesivos self-etch. A degradação do colágeno em prazo relativamente curto (8 a 18 meses) compromete o selamento dentinário e a durabilidade das restaurações;


  • toda técnica adesiva é operador-dependente. A não observação de critérios técnicos rígidos terá como resultado uma adesão deficiente e todas as suas consequências clínicas;


  • a correta polimerização da camada de adesivo é fundamental para estabelecimento de uma união adesiva efetiva e estável. Adesivos self-etch e total-etch simplificados são mais sensíveis a variações de polimerização. NÃO negligencie a polimerização de seus adesivos;


  • dar tempo para difusão e penetração do adesivo e promover a correta evaporação do solvente são passos fundamentais para estabelecer uma boa adesão;


  • além de um protocolo clínico criterioso na aplicação do  adesivo, a inserção dos incrementos de resina, respeitando-se o Fator C e controlando-se as tensões de contração, é fundamental para e estabilidade da interface adesiva e para a longevidade da restauração.

Como vemos, ainda não dispomos de materiais milagrosos e que conferem sucesso clínico por si só. Conhecimento profundo dos materiais que utilizamos e rigor técnico na sua aplicação continuam sendo os fatores mais importantes para o exito de nossos trabalhos. Até a próxima.

As várias UNIBANs

Ainda ecoam os últimos acontecimentos envolvendo a agora famosa estudante Geyse e a universidade onde cursa Turismo, a UNIBAN. Fora os alunos que participaram do linxamento moral, quase físico, da estudante, e do corpo diretivo da Uniban, toda a opinião pública, OAB, autoridades consultadas e mídia geral manifestaram total repúdio à atitude dos alunos e principalmente à decisão arbitrária tomada pela universidade de banir a estudante de seu quadros. A repercussão negativa desse fato foi tão grande, inclusive alcançando as manchetes de periódicos internacionais, que a universidade reviu sua decisão e reintegrou Geyse a seu quadro de alunos. Resumo: ela agora está famosa, desfrutando de seus 15 minutos de fama, e a UNIBAN viu sua imagem ser publicamente massacrada e seus valores questionados. Já ouvi de diversas fontes: a UNIBAN acabou! Manifestos e retaliações surgem do Brasil e do mundo. ONGs, associções de classe, juristas e políticos. A internet forrada de piadas. Agora é TULIBAN! Hoje, 16 de novembro, conheci uma outra realidade desta universidade e não posso deixar de manifestar neste blog minha surpresa e encantamento com o que pude observar. Na unidade Maria Cândida, chefiado pelo Prof. Dr. Camilo Anauate Neto e contando ainda com mais 10 pesquisadores, dentre eles a Profa. Dra. Marcela Carillo, funciona o núcleo de pesquisa em biomateriais, LEBO-Laboratório de Ensaios de Biomateriais em Odontologia . Este núcleo desenvolve trabalhos realizados por seu grupo de pesquisadores e alunos orientados, mantém parcerias com os principais centros de pesquisa e pesquisadores do Brasil e do mundo e, como hoje, viabiliza a vinda destes pesquisadores para divulgarem  e discutirem seus estudos com nossos dentistas, professores e estudantes de Odontologia. O que vi foi um trabalho sério, planejado, honesto e, principalmente, feito com dedicação e paixão. Hoje, o pesquisador convidado foi o Prof. Dr. Lorenzo Breschi da Universidade de Trieste, Itália, que discorreu sobre as principais inovações e o atual estágio dos adesivos dentinários. Foram duas horas e meia de palestra, com conceitos claros e opiniões objetivas. Falaremos sobre este curso numa outra postagem neste blog. Certamente, a iniciativa de criar e manter um centro deste porte não vai colocar a UNIBAN na mídia como fez a reação de seus alunos a uma saia pequena demais. Certamente a paixão e dedicação do Prof. Camilo e seus pesquisadores não levarão a UNIBAN às manchetes, como o questionamento de seu estatuto e de seus pseudo-valores morais. Mas certamente criar e manter centros de estudo e pesquisa como o que conheci hoje, elevará muito, mas muito mesmo, o nível da odontologia ensinada. Estou certo que em pouquissimo tempo, pelo menos na Odontologia, a UNIBAN terá um reconhecimeto difrente daquele que atualmente preenche as páginas dos jornais, os noticiários televisivos e os bate-papos nas rodas de botequim. Parabéns ao Prof. Camilo, Profa. Marcela e aos demais pesquisadores deste grupo. Parabéns à UNIBAN.