Hoje tive a oportunidade de assistir a uma palestra sobre Adesão, proferida pelo Prof, Dr. Lorenzo Breschi, da Universidade de Trieste, Itália. Esta palestra foi promovida pelo LEBO-Laboratório de Ensaios de Biomateriais em Odontologia da UNIBAN, (é, aquela da mini-saia, vejam postagem anterior neste blog), chefiado brilhantemente pelo Prof. Dr. Camilo Anauate Neto. Prof. Breschi apresentou uma ampla e atual revisão bibliográfica sobre o presente estágio da adesão aos tecidos dentais e sobre o que podemos esperar dos adesivos hoje comercializados. Das duas horas e meia de palestra podemos destacar:
os adesivos de três passos, ou chamados de quarta geração, continuam sendo os que promovem uma adesão mais eficaz e duradoura, estável;
os adesivos alto-condicionantes, self-etch primers, ou de sexta geração, nas apresentações Primer e Bond separadamente aplicados, apresentam desempenho e estabilidade semelhantes aos adesivos de três passos. Deve-se SEMPRE condicionar o esmalte para contar com um bom desempenho marginal destes adesivos;
Nos dois casos acima, esta estabilidade se deve à camada de bond, hidrofóbica, que impermeabiliza a camada híbrida, minimizando os efeitos da permeabilidade da camada de primer hidrofílico;
os adesivos total-etch simplificados, quinta geração, que atualmente são os mais utilizados em nosso país, apresentam um desempenho inferior aos adesivos acima citados, mas com resultados clínicos considerados bastante satisfatórios. Dentre os adesivos deste grupo, deve-se eleger os que possuem etanol como solvente;
adesivos simplificados de passo único (sétima geração) bem como os adesivos auto-condicionantes onde primer e bond são misturados antes da aplicação não apresentam estabilidade da adesão conseguida, em virtude da sua alta permeabilidade e consequente degradação. Maiores estudos e desenvolvimento são necessários para melhorar o desempenho destes adesivos;
Independente da geração do adesivo utilizado, o uso de clorexidina 2% imediatamente antes da aplicação do adesivo é fundamental para inibir a ação das MMPs e preservar as fibras colágenas dentinárias. Esta ação já está comprovada quando do uso de adesivos total-etch e já existem evidencias de que também é importante quando do uso dos adesivos self-etch. A degradação do colágeno em prazo relativamente curto (8 a 18 meses) compromete o selamento dentinário e a durabilidade das restaurações;
toda técnica adesiva é operador-dependente. A não observação de critérios técnicos rígidos terá como resultado uma adesão deficiente e todas as suas consequências clínicas;
a correta polimerização da camada de adesivo é fundamental para estabelecimento de uma união adesiva efetiva e estável. Adesivos self-etch e total-etch simplificados são mais sensíveis a variações de polimerização. NÃO negligencie a polimerização de seus adesivos;
dar tempo para difusão e penetração do adesivo e promover a correta evaporação do solvente são passos fundamentais para estabelecer uma boa adesão;
além de um protocolo clínico criterioso na aplicação do adesivo, a inserção dos incrementos de resina, respeitando-se o Fator C e controlando-se as tensões de contração, é fundamental para e estabilidade da interface adesiva e para a longevidade da restauração.
Como vemos, ainda não dispomos de materiais milagrosos e que conferem sucesso clínico por si só. Conhecimento profundo dos materiais que utilizamos e rigor técnico na sua aplicação continuam sendo os fatores mais importantes para o exito de nossos trabalhos. Até a próxima.