quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cursos, cursos... e mais cursos. Reflexões de um professor.

Semana passada tive uma semana especial. Realizei junto com parte de minha equipe a primeira edição de um curso de Imersão em Laminados Cerâmicos. Apesar de já estar nesta estrada há 20 anos, quando meu mentor e Mestre Glauco Fioranelli Vieira me incumbiu de ministrar a primeira aula teórica de minha vida, num curso sobre Dentística na APCD de Vila Maria, senti de novo a ansiedade dos iniciantes, a incerteza do sucesso, o temor do fracasso. Tudo diante da responsabilidade do acerto. Tudo deu muito certo. Se fosse um espetáculo artístico, poderia ser classificado como sucesso de público e crítica. Fruto do planejamento, fruto da experiência, fruto de parcerias profissionais consistentes e de um grupo de trabalho fiel e afinado. Na mesma noite da finalização do curso embarquei para Bahia, Feira de Santana, onde no dia seguinte faria uma conferência de 4 horas e ministraria um hands on sobre resinas em anteriores. Desta vez muito mais calmo e seguro, afinal eram experiências já vividas e revividas, fui surpreendido por alunos extremamente participativos, ouvintes empenhados em aprender, e mais que isso, em mostrar o quanto minha presença ali, como  a de outros professores presentes, era especial. Em uma única semana, uma enxurrada de boas emoções, oriundas da minha atividade como professor, formador de opinião. Navegando hoje pelo Facebook, como faço diariamente, rotineiramente, avidamente e até compulsivamente, comecei a contar a quantidade de cursos, de bons cursos, oferecidos apenas na minha área, de Odontologia Restauradora Estética. Cursos de tiro curto, de extensão, Especialização, Hands on, das mais variadas modalidades e temas. Num primeiro momento, pensei: Nossa, quanto curso bom! Será que existem alunos para todos? Imagino que sim. Aliás, tenho certeza que sim. Como tenho certeza que cada um destes cursos, pela voz de seus coordenadores e equipes de trabalho tem algo de novo e bom a oferecer a profissionais que necessitam sempre de novas ferramentas para seguirem acompanhando as evoluções técnicas e científicas da Odontologia e as exigências de mercado para se manterem competitivos. Mas o que mais me chamou a atenção ao analisar grande parte destes cursos é a saudável, amistosa e até corporativa convivência entre seus idealizadores e coordenadores. Lógico que ainda pairam algumas divergências filosóficas, científicas às vezes, choques de egos e até interesses econômicos disfarçados, mas é incontestável, e faço parte disto, vivencio isso rotineiramente: existe uma relação absolutamente positiva entre aqueles que hoje ditam as normas e conceitos vigentes na Odontologia Restauradora Estética. E mais, prá quem não sabe ou imagina, o nosso convívio é muito, mas muito mesmo, engrandecedor e...divertido. Em tempos de informação globalizada e de necessário embasamento científico, até os relacionamentos pessoais ficam mais fáceis. Afinal, todos têm de seguir uma receita básica, aquela ditada pela ciência. Não pelos egos. O tempero adicional de cada um, a forma de apresentá-la, isso sim tornará a receita mais atrativa e também requisitada. Mas sem ferir convicções ou posições individuais. Não vou aqui citar nomes, até porque são muitos os que se encaixam no perfil descrito acima, e não quero cometer a indelicadeza de esquecer alguém, (para conhecer, basta correr os perfís do Facebook) mas hoje estou certo que todos colaboram para elevar o nível do que se ensina, da forma como se ensina e das parcerias que se formam para lançar cursos dinâmicos, bem planejados e que efetivamente cumprem o que prometem. Criam profissionais melhores. Colaboram para uma Odontologia de maior qualidade. Seja bem vinda a concorrência saudável. Seja bem vinda a proliferação de bons cursos.

terça-feira, 6 de março de 2012

Ainda o Clareamento Dental e suas armadilhas aos dentistas

Quando eu acho que as coisas estão mudando e que a classe odontológica caminha para o amadurecimento e um consequente maior respeito por parte da mídia e dos nossos pacientes, sou obrigado a rever minhas esperanças e me convencer que ainda há muito trabalho a ser feito até que muitos colegas percebam que o melhor caminho para o sucesso profissional é fazer um trabalho ético e embasado em protocolos clínicos biologicamente seguros e cientificamente comprovados. Na edição deste mês da revista Claudia, Editora Abril, que figura entre as leituras oferecidas em minha sala de espera, deparo-me com uma pequena matéria  alertando leitoras para a cor amarelada dos dentes. Logicamente minha curiosidade profissional quer saber o que está escrito. Encontro duas informações assombrosas: a primeira é que misturando um gel labial  incolor (gloss, para os conhecedores de maquiagem) com sombra (para olhos!) prateada ou dourada, aplicado nos lábios,  pode-se ter a percepção de dentes mais amarelos (próximos ao dourado) ou brancos (próximos ao prateado). Pode até ser útil esta informação. A outra contudo, foi de doer. Segundo o texto, aqui, literalmente reproduzido: A SOLUÇÃO: sessões de clareamento com laser. "Os raios de luz liberam oxigênio que combate as manchas.diz o dentista FULANO DE TAL, de São Paulo. Prefiro omitir o nome do colega. Resta na minha mente a esperança (bem, mas bem pequena mesmo!) de ele ter tido suas palavras deturpadas por um repórter leigo e entusiasta de tecnologias. Como pode uma besteira tão grande ainda ser divulgada para o público leigo! Sabedores que já somos do atual estágio científico das pesquisas com clareadores, o mínimo que um profissional tem de fazer quando questionado sobre o assunto é enfatizar os riscos do uso das fontes de luz e seus efeitos menos duráveis e estáveis, comparados com os métodos de auto-aplicação. Acredito que um dentista procurado por uma revista de circulação nacional,  para conceder uma entrevista ou parecer, deva ser uma referência, deva ter seus méritos para merecer tal oportunidade. Tem de ter um mínimo de conhecimento comprovado e o senso de responsabilidade de informar o certo e seguro. O que o leva a fazer afirmações tão levianas e desprovidas de fundamento científico? Será que os novos pacientes e ganhos que captará com a matéria, compensam a exposição de imagem e reputação de forma tão negativa? Até quando veremos colegas propagando milagres às custas de afirmações vagas e mal explicadas? Por que nossas entidades de classe, sabedoras de tais abusos, não criam ações informativas que orientem pacientes e os livrem das armadilhas impostas por profissionais mal informados (ou seria, mal intencionados?). E para completar, ao publicar-se tal informação, lá vem a enxurrada de pacientes perguntando: Mas Dr., o Sr. ainda não usa o laser para clareamento? Ao que eu respondo: Não mais, já usei. É aquele aparelho ali em frente à cadeira. Mas hoje ele só me serve para pendurar o avental. Vamos continuar tentando...