quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cimentos auto-adesivos

     Sempre recebo muitos questionamentos sobre o uso de cimentos auto-adesivos, aqueles que dispensam o condicionamento da estrutura dental para promover adesão e retenção de peças protéticas. As maiores dúvidas são sobre a confiabilidade de um produto com tão pouco tempo de mercado. Estes cimentos já estão no mercado há cerca de cinco anos e meio e são hoje os cimentos mais comercializados no mundo, sendo muito bem avaliados e indicados por importantes e reconhecidos periódicos como o CRA e Dental Advisor. Basicamente, estes cimentos se ligam ao íons Ca do esmalte e dentina para promover através destas ligações a adesão necessária. Para isso, seu pH imediatamente após sua manipulação tem de ser ácido. O grande segredo para que este cimento tenha estabilidade, longevidade e integridade marginal é que esse pH seja neutralizado durante sua reação de cura. Algumas marcas comerciais, como o cimento MaxCem (Kerr), não apresentaram esta estabilidade e foram reformulados para permanecer no mercado. Até o momento, os cimentos U100 e UNICEM (3ESPE) têm mostrado nas pesquisas in vitro e in vivo um excelente desempenho, o que nos permite afirmar  que são tão confiáveis quanto os cimentos resinosos duais tradicionais, mas com um protocolo clínico muito mais simples e com menores riscos de sensibilidade pós-operatória. Aos descrentes e desconfiados, sempre procuro argumetar: estes cimentos são indcados para cimentação de coroas uniárias, próteses-fixas, inlays, onlays e retentores intra-radiculares. Todos estes procedimentos classicamente apresentam preparos com grande superfíce de retenção friccional e, exceto as onlays, sempre foram cimentados com cimetos menos resistentes mecanicamente e mais solúveis, como os ionômeros de vidro e o tradicional oxi-fosfato de zinco. A retenção e longevidade destes procedimetos sempre se deveu principamente à qualidade da adaptação das peças protéticas e não à ação do agente cimentante. Isso continua valendo. E agora ajudado por um cimento resinoso e adesivo. ATENÇÃO: já fazia parte das recomendações dos fabricantes que os preparos protéticos não deveriam ser limpos com álcool, EDTA água oxignada ou clorexidina pois estes produtos poderiam interferir negativamente na adesão dos cimentos auto-adesivos. Em artigo recentemente publicado (JOURNAL OF DENTISTRY -vol. 37-2009- pgs 440-448) os efeitos negativos do uso da clorexidina foram comprovados. Portanto, o melhor para limpeza cavitária previamente ao uso de cimentos auto-adesivos continua sendo a prática e barata mistura de pedra-pomes e água. A adesão dos cimentos duais convencionais não é alterada pelo uso prévio da clorexidina. Vale lembrar que estes cimentos requerem técnica total-etch. Acesse ou faça o download do artigo na íntegra aqui. Abraços a todos.

Um comentário:

  1. No caso de cimentação de pino com cimento auto adesivo em um dente que durante a endodontia foi usado por ex clorecedina, EDTA, como proceder? E o hipoclorito, não tem interferência negativa?

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