sábado, 10 de outubro de 2009
Terapias alternativas na Odontologia: Hipnose
Apesar das grandes mudanças que o atendimento odontológico apresentou nas últimas duas décadas, com tratamentos menos invasivos, mais rápidos e consultórios mais confortáveis, as odontofobias, em seus diversos níveis de manifestação, continuam a dificultar atendimentos e a impedir que muitos pacientes encarem os tratamentos de forma tranquila. Como profissionais de saúde devemos entender que estas fobias, independente do que as tenha gerado, se manifestam com alterações sistêmicas importantes como sudorese, taquicardia, alterações respiratórias, sensação de desmaio e até uma incontrolável alteração de humor ou agressividade. Alterações químicas atuando no sistema nervoso são as causadoras dessas manifestções sitêmicas. Como lidar com isso? Como ajudar estes pacientes? Esta semana eu e meus alunos de Especialização em Dentística recebemos o Dr. Mohamad Bazzi, (mbazzi@terra.com.br), dentista como nós, mas que atua na área de Hipnose voltada para odontologia e medicina. Em uma palestra interessante e esclarecedora, ele nos mostrou não só como ocorrem as interações químicas que norteiam nossas reações mas também como podemos condicionar nossos pacientes ( e nós mesmos! ) a controlar suas emoções e a atuar positivamete sobre seus medos e fobias. Também nos judou a entender melhor como formamos nossa personalidade e os caminhos que formam nosso arsenal de conhecimentos. Para os descrentes, vale a pena se aprofundar um pouco mais nesse universo. Mas por que essa preocupação em um curso de Especialização em Dentística? Me preocupa formar um dentista capacitado técnica e cientificamente para realizar restaurações fantásticas e não provê-lo de outras ferramentas também fundamentais para que possa ter êxito profissional, como bases de marketing pessoal, gestão financeira e comportamento humano. É como ter um ótimo produto nas mãos e não saber vendê-lo ou para quem vendê-lo. Até pouco tempo, desprovidos dessas ferametas, aprendíamos de forma empírica, com os "tropeços" do dia-a-dia. ou em cursos não direcionados a profissionais de saúde. Graças a alguns amigos e parceiros, eu e muitos outros coordenadores de cursos de Especialização temos conseguido levar a nossos alunos estas ferrametas tão importantes, que infelizmente ainda não fazem parte do cursos de gradução. Não é de hoje que sabemos que para alcançar o sucesso não basta sermos bons dentistas. Temos de ser também bons gestores. De negócios, de pessoas, de nós mesmos.
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Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao colega, Dr. Garófalo, pelos seus comentários, como também, pela oportunidade de divulgar essas questões tão relevantes a prática odontológica, mas que infelizmente não são muito bem entendidas.
ResponderExcluirPor outro lado, parabenizá-lo pela iniciativa contribuindo para capacitação do especialista visando seu êxito profissional, não só com o conhecimento específico da especialidade em questão, mas também, abrindo os horizontes a novas perspectivas interdisciplinares.
Tive a oportunidade de coordenar o Módulo de Hipnose do Curso de Especialização de Medicina Comportamental da Escola Paulista de Medicina, bem como, coordenar o Setor de Hipnologia da EPM/UNIFESP, com isso direcionei minha pesquisa à Saúde Mental, Neurociências e Comportamento Humano e gostaria de contribuir com mais alguns comentários para os integrantes desse blog.
Vivemos hoje em mundo que evolui de forma frenética, o que nos afeta dramaticamente, o tempo todo, com crescentes estímulos ansiogênicos e estressores. Em contra partida, nossos sistemas, em particular o sistema neurológico, não tiveram tempo de se desenvolver na mesma velocidade. Isso acarreta em dificuldades de nos adaptarmos com a crescente demanda de informações, não reagindo de forma adequada e sofrendo, principalmente, com as doenças psicossomáticas e as desordens mentais.
Antes de falarmos dos problemas de comportamento de nossos pacientes, gostaria de dirigir uma pergunta simples a você colega odontólogo: Como vai sua saúde física e como “anda a sua cabeça”? Sim, porque como nosso paciente, também, vivemos nesse mesmo mundo que exige muito de nós.
Uma das coisas interessantes da Medicina Comportamental é que ela se preocupa, principalmente, com ações preventivas. Não tem como evitarmos a escalada vertiginosa do nosso mundo, mas tem como investirmos no maior conhecimento do funcionamento de nossos sistemas e procuramos tirar maior proveito de nossos recursos de adaptação, que estão sendo utilizados de maneira inadequada, meio que no desespero, para podermos acompanhar o ritmo da vida. Na verdade, não precisamos correr nessa velocidade, podemos aprender a gerenciar o estresse e a ansiedade, conseguindo assim, otimizar o funcionamento dos nossos sistemas. Isso se consegue com esclarecimento, informação e mudança de comportamentos.
Esse é o grande desafio!
Porque se melhorarmos nossa Qualidade de Vida e nossa condição de saúde, estaremos convivendo melhor com a nossa família, na sociedade e, profissionalmente, atendendo melhor nossos pacientes.
Atualmente existe uma preocupação na formação acadêmica dos profissionais da saúde em buscar relações mais humanizadas, mas a primeira condição para isso é que nós como profissionais estejamos bem física e mentalmente.
Trata-se de um processo empático, quando você está bem, percebe melhor o outro e suas necessidades. Nessas condições se você, além disso, tem conhecimento e recursos específicos para lidar com o comportamento humano pode além de tratar da saúde bucal de seu paciente contribuir, também, para saúde global do mesmo.
Em dezembro do ano passado Conselho Federal de Odontologia baixou a Resolução CFO-82/08 que normatiza as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde Bucal, dentre elas a Hipnose. Com isso a capacitação e habilitação dos profissionais passa a ser controlada e supervisionada pelos Conselhos Regionais e ministrada em instituições e por um corpo docente credenciados.
Não estamos falando da hipnose antiga estigmatizada e não entendida, mas sim de uma ciência que busca sua fundamentação na neurofisiologia e em pesquisas validadas por um rigoroso critério cientifico, bem como, na sistematização do aprendizado e utilização da técnica, mas que acima de tudo trata-se de uma sofisticada ferramenta de comunicação.
Espero com esse comentário ter, pelo menos, aguçado sua curiosidade. Fica aí um convite para você procurar pesquisar e se informar mais sobre assuntos relacionados ao Comportamento Humano, Neurociências e Hipnose.
Dr. Mohamad Bazzi
mbazzi@terra.com.br
Realmente,eu assino embaixo no que o Garófalo e o Mohamed escreveram.Quando fui assistir à aula achava que seria massante,chata,sem significado,porém fui surpreendido pelas informações que foram passadas e o mais importante:Pela mudança da visão no que diz respeito à hipnose,haja visto que no Brasil ela foi colocada de forma equivocada.Podemos fazer um uso correto e consciente e beneficiar muitas pessoas,que pode ser nossos pacientes ou nós mesmos.Mais uma vez obrigado.
ResponderExcluirDr.Gustavo Marinho(Aluno do curso de Especialização em Dentística-Cetao)